tic toc, as máscaras caem

em questão de 2020 ter chego, a vida meio que deu as caras avisando que esse ano seria um ano diferente. com muito cuidado, desejei e eu espero que esse ano seja como pedi: mais leveza, mais sorrisos intensos e momentos mais singelos. sinto falta disso.

ontem me deparei com um sentimento surpreendente… eu vi o que eu sou capaz. caiu também a ficha de que é para frente que a gente olha. conheci um pouco o meu lado mais obscuro. vi que posso ser fria, me preparar para o pior e que, sim, existe aqui dentro uma coragem guardada. eu não sei porque ela demorou tanto para aparecer. queria sentir ela mais vezes. será que vai ser assim 2020? burlando as minhas leis, colocando à prova o que eu acredito e tudo que sempre tive certeza. sinto em minhas veias e a cada olhar meu lançado uma chama bem brilhante de determinação. seria essa a minha verdadeira face?

enfim estou eu me conhecendo. depois de anos me moldando para somente aprovação alheia e aumento de nada mais e nada menos que o meu ego. ele burla muito a gente. é preciso ter mais cuidado com ele.

o tempo me assusta.

não é mais um tired-drama

agora eu tenho, enfim, 23 anos.

comecei esse blog a uns três a quatro anos atrás e eu achava que minha vida era um tired-drama. se eu pudesse voltar no tempo, tudo o que eu ia querer fazer, era sentar numa poltrona com uma pipoca salgada e assistir todas as encrencas que me acontecia, porque eu não acreditava que certas coisas aconteciam comigo. era muito muito drama. muito cansativo. mas depois de certo tempo, depois de muitas linhas de diário escritas (e nunca publicadas), muita, muita, muita coisa aconteceu. eu trabalhei feito louca pra ir atrás dos meus sonhos. deixei muita coisa que eu precisava me dedicar em stand-by, inclusive minha graduação. minhas notas despencaram. tempo era o que eu, simplesmente, não tinha e isso me gerou crises. de ansiedade e existencial. questionei meus medos, minhas crenças, meus desejos, o outro, o universo, o que era cada segundo desperdiçado e cada parte do meu corpo. dormir era algo que eu não fazia com destreza. não sonhar por semanas virou rotina. chegou ao estopim em que tive que tomar as rédeas de tudo. mas precisei de um empurrãozinho da minha mãe e do meu namorado pra criar alguma coragem – o ingrediente que me faltava.

e eu não conseguia fazer as minhas primeiras atitudes de cabeça erguida. demorei a levantar e encarar o mundo de frente. e agora que me vejo aqui, por mim mesma (mas não sozinha). começo a entender como o mundo funciona. quer dizer, eu sabia que eu um dia ia crescer e que teria que fazer algumas coisas, mas não sabia que eu teria que fazer alguma coisas. entende o que quero dizer? eu era uma criança e falava que ia fazer e me envolver em muitas aventuras. eu só não sentia na pele nem perto do quanto isso realmente significava.

é ali, naquela caminhava atrás de objetivos que nasceu novas questões, novos pensamentos e novos “será?”. todo o dia. eu me levantava e me perguntava do porquê eu estava ali, o que estava fazendo e qual era o objetivo. cheguei a me perder um pouco e agora, eu estou aqui. escrevendo isso e pensando em mil coisas para o meu futuro e de algumas escolhas que tive que fazer que, infelizmente, não me agradaram nada. mas eu tinha que fazer algumas coisas, né? e engraçado que, eu sonhava com isso. passei até medo e agora, eu só… não sei.

o medo está aqui mas a coragem também está.  eu tenho muito medo. mas tenho muita ideia também. e que, pela primeira vez, eu sinto que crescendo e evoluindo, eu me acolho incansavelmente, irremediavelmente e intensamente. porque eu agora estou me entendendo e está divertido buscar por respostas.

não saber as respostas não me assusta tanto assim. parece que minha vida deixou de ser um tired-drama. aqui está sendo escrito um novo capítulo e, como vocês podem imaginar, eu não sei o gênero. mas espero que curtam.

feliz 23 pra mim.


assistidos

de série, eu tenho viajado muito. pouco filme. Série era algo que eu sentia que era uma perda de tempo e precisava de um reloginho me controlando porque, senão, sentia que meu dia não rendia. hoje eu só curto uma boa história, entretenimento e agora: um bom repertório. meu gênero favorito é mistério policial, mas tudo que tiver uma história pra contar e que seja bem contada, eu tô dentro.

  • sherlock, da BBC e tendo como ator principal Benedict Cumberbatch: virei temporadas, não consigo mais desgrudar. é tudo inesperado. preciso comentar da fotografia, maravilhosa direção e da paleta de todas as cenas?
  • brooklyn 99: uma paixão minha! não precisa ser sério para ser bom. e que elenco, que história, que divertida de se assistir!
  • outlander: uma amiga me indicou e eu achei INTENSO! estou assistindo aos poucos por motivos: muita coisa pra digerir. isso sim é uma narrativa muito bem colocada! com certeza irei atrás dos livros depois disso! obrigada, Lara!

e é só, mas prometo me dedicar mais ao entretenimento pois o foco desse (entre outras metas) ano é aumentar bastante meu repertório, então logo estarei contando mais o que tenho experimentado. é muita coisa pra fazer, né? só que dessa vez, tô feliz!

pensamentos de uma longa caminhada

Quando fechei a porta da frente de casa, sabia que precisava disso. Respirar. É tão difícil você conseguir se distanciar um pouco da sua vida, se afastar desse monte de coisas e ver como gostaria de construí-la, se tivesse esse poder! Saber ser uma engenheira pelo menos uma vez na vida, e saber do que está fazendo.

Nessa pequena caminhada, todo mero detalhe parece importar. Todos os momentos que calculei e saíram fora da órbita ou do roteiro. Tudo aquilo que não queria ter feito e que no final, talvez fosse melhor assim. Aprendi com tudo que passei e tenho o grande pressentimento de que estou melhor.

Amadureci. Meus olhos já não são tão ingênuos assim. O cuidado se elevou perante a mim. Sinto e sei que já não sou mais a mesma. Tudo que é grandioso e maravilhoso, me sinto como fosse privilegiada por ter isso ao meu alcance. Aquela teoria de que a vida poderia ser mais leve, mas que em alguns momentos, essa ideia cai por água a baixo. Mas uma parte de mim impede que eu me vire negativa perante a minha vida, e me faz acreditar que a leveza existe, sim. Mesmo que poetas e escritores parafraseiam que escritores e artistas não vivem sem uma dor pra contar e mostrar. O que as vezes pode ser encarado pior do que já é. Gente que é encontrada no ofício de escrever normalmente vê a dor de uma forma maior, intensamente e em cores. Não sou exceção. Talvez por isso que eu prezo pelos momentos mais leves.

Ideias assim faz grande porcentagem das pessoas acreditar que o mundo está errado, que não há cura, positividade e resolução para determinadas situações. E algumas vezes nos faz acreditar que não tem mesmo. Porém me parece tão pesado e sem sentido você viver a vida sem ter por onde acreditar. Acho importante a gente ter um ponto que nos faz acreditar, mesmo que seja, sei lá, em fada. Assim, o nosso coração se enche de uma forma boa, contornando espaços que antes não sabíamos que éramos capazes de tê-lo e preenchê-lo. O problema nisso, depois de um tempo, se torna uma junção de felicidade e medo. Felicidade porque se sente livre por acreditar em alguma coisa, mas com medo por não querer ser ingênua uma outra vez na vida.

É tão… estranho. É nesse momento que você se permite querer tudo, mas também querer nada. É nesse momento onde sonhadores são vistos como cegos e ingênuos nesse mundo. E é aqui também que dizer isso me machuca.

Não quero perder a minha personalidade porque somente tenho medo – mesmo que eu queira ser uma jornalista profissional. Sinto que a curiosidade que nasceu comigo me faz aflorecer algo em mim e eu continuo agradecendo por isso. É isso que eu me torna uma pessoa diferente por aqui. Aliás, todos somos diferentes e ao mesmo tempo iguais: somos positivos de alguma forma. O problema do maior mau, é simplesmente o medo.

Olha, vou ser sincera, queria dizer que nesse final, só por me dar conta disso e não querer perder a minha esperança, é encarar todos os meus medos. Mas sei que isso não é fácil, por isso aqui fica minha deixa. Pra essa vida que tenho, aos 19 anos, farei o melhor que posso. E claro, escrevendo. Até porque, as palavras são meu ofício e nele darei meu corpo e alma, só pra construir esse castelo que chamamos de essência. Isso sim é importante

E ao me dar conta disso, entro em casa, tiro meus casacos pesados e minhas meias, vou pra cama e tudo que estou desejando apenas é: um dia melhor. Todos os dias.

Sou pétalas, caule e pólen

 

Me dê algumas flores. Me veja em alguma delas. Sinto sua falta também. Eu olho pela janela e vejo jasmins, tulipas e margaridas. Será que sou uma flor que ainda não se encontra em seu jardim? Minha delicadeza, jeito e beijo. Sei que eles ainda estão no seu quarto, no seu travesseiro e nos seus lábios. Sou uma paz incomum, o tal que preenche o coração. Seria, talvez, o amor? Sou pétalas, caule e pólen. Sou pequena. Sou uma flor. Me devolva.

Me dê essa flor.

Tão longe

Se vê tão longe
Permanece sentada
Sonha alto, bem defronte
Seria um passo, um avante

Aquele sorriso bem iluminado
Com toda graça lasciva
Me encolho em seus braços
Caminhada juntos, aquecida

Em teus braços quero estar
Mas não nego sonhar sozinha
Se pelos passos aproveitados
Um dia hei de me guiar

Estrela nua
E crua
Mas se vê tão longe…

Ela, Rafaela

Quieta e misteriosa.
Garota com a cabeça no céu
E os pés na terra.
Vive do perigo, gosta do silêncio.

Ninguém a conhece.
Se conhecem…
Ninguém diz
Ninguém fala
Ninguém age.

Vive nos meios dos livros.
Aventuras internas.
Borboletas até em seus próprios olhos!
Vê o maravilhoso até onde não tem.
Ingênua e ao mesmo tempo perigosa.

Onde anda, sempre tem ideias.
O que pensa, sempre registra.
Onde entra, sempre observa.
Olhares que a acompanham.
E passos dados que sempre

A silencia.