A Cor da Manhã

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por We Heart It

Se todas as manhãs eu acordasse com meu cantinho iluminado por dentro, talvez meus dias fossem sempre primeiro de janeiro. Um caminho pela frente a ser traçado, um novo ano, novas oportunidades e talvez uma nova menina. Só que mais madura e disposta a sempre estar em mutação constante. Continuar no mesmo nunca foi a minha praia.

Gosto da palavra ”resiliência”. Ser forte e resistir. Seguir em frente e superar. Mudanças.

Se todas as vezes que o sol batesse na minha janela, não teria medo de abrir as mesmas. Abrir e mostrar que existo. Abrir e ver que a positividade anda perambulando por aí e que o amor anda com o status de ocupado pois ele já não é mais economizado em momentos de afeto.

Só que, de alguma forma, o mundo anda mostrando que a positividade anda precisando dela mesma porque ela precisa existir. Precisa porque, por mais que a janela seja aberta, mostra mentes cinzas, pequenas e que não enxergam a cor da manhã. Não há placas de ”bem-vindo” em moradias, janelas são trancadas, e TV? Fala do cinza e não da manhã, fala da noite e não do amarelo.

Compromisso.

Compromisso.

Compromisso.

Tempo.

Amarelo se põe, a manhã já foi faz tempo, livro caiu do criado-mudo, primeiro de janeiro já não está mais no calendário, mas só a positividade abriu a janela.

O tempo que a gente não entende.

Existe aquela frase de efeito que diz algo assim: “Quando você dá um passo para frente, consequentemente algumas coisas ficam pra trás”. Sempre que leio essa frase, me faz lembrar o por do sol e imaginar os seus dois lados. O lado onde ele está se pondo e o da noite vindo. A noite talvez  fosse só um pedaço que ele está deixando pra trás. E onde está se pondo é o que pode vir. Ou talvez fosse o contrário? Eu também me pergunto se esses pedaços também tem como ser um pouco da gente.

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por We Heart It

Tenho 19 anos, vivo planejando meu futuro e amando escrever cada pedacinho do meu presente. Mas que consequentemente não me deixam parar de pensar no meu passado. Já cheguei a pensar se, nesses passos que dou, um pouco de mim sempre fica pra trás. Isso só me ocorreu mesmo quando eu saí do banho, me olhei no espelho e me ocorreu que alguns traços já não são como eu me lembro nas fotografias guardadas. Antes, meus olhos aparentavam ser curiosos, hoje, com um pouco de maquiagem borrada, consigo reparar levemente como eu aparento ter um pouco de medo. Não sei do que exatamente, talvez de alguma surpresa. Não que surpresa fossem boas; coisas inesperadas me encantam. É que talvez eu esteja um pouco farta de esperar por algo maior e me decepcionar. Forrest Gump faz parecer maravilhoso quando fala da sua caixinha cheia de bombom’s, mas queria mesmo ver sua reação quando encontrasse um chocolate amargo com amendoim dentro. Provavelmente ficaria irritado, mas seria legal se ele me entendesse.

Antes eu era mais feliz com qualquer coisa, qualquer acaso, qualquer palavra. Hoje tenho uma obsessão por surpreender o outro. Fico pensando nas próximas palavras que solto, nas próximas ações. Às vezes nem precisam ser momentos que ainda vão acontecer. Às vezes acontece de ficar pensando no que já aconteceu e fazer aquela pergunta: “Por que não fiz ou disse isso ao invés daquilo?”. Essa obsessão por ter momentos perfeitos para que as pessoas tivessem um outro olhar sobre a gente, ou que tivéssemos agido melhor pra que não fôssemos encarar algumas consequências que hoje somos obrigados a lidar. Um dos momentos que tenho pra contar é quando tive a minha despedida de Florianópolis. Morei lá por quase 6 anos e tive amigos maravilhosos que juntaram e cantaram algumas músicas que eu gostava bastante. E nessa despedidas, lembro que a gente jogou bastante Guitar Hero e eu sempre tive um gosto muito grande de cantar. Um certo momento, me pediram pra cantar e eu lembro, inclusive, qual era a música. Quando comecei, eu não gostei de mostrar como era a minha voz para todo mundo, porque eu não achava ela bonita e o meu showzinho de pessoa envergonhada também foi nada bonito. Eu podia surpreender a todos ali, eu podia dar um showzinho mais bacana, eu podia muito bem cantar e fazer os meus amigos curtirem. Eu queria voltar lá e mostrar que minha voz já não é daquele jeito (também, depois de muita prática…) mas que também eu não canto nada profissional. Pessoas entendidas de músicas dizem que ela é boa, mas só precisa de alguns consertos. Só por isso canto só para os íntimos. Ou canto no meu quarto, sempre imaginando surpreender aquelas mesmas pessoas. Mas voltando ao foco, eu gostaria de voltar lá, cantar com meus amigos e mostrar que “olha, eu melhorei”. O engraçado é que ninguém se importa com isso. Foi um momento que, ah, nem devem lembrar como eu lembro! Eu devia pensar hoje que era só uma festa bacana, não era pra ser levada nada a sério no karaokê do jogo. E eu com essa obsessão de surpreender, de que mostrar que sei, que sou boa, que posso fazer certo dessa vez.

Mas hoje, com meus 19 anos, com meus olhos apresentando maquiagens borradas, tudo que quero é deixar de lá o lado oposto do por do sol e começar a presenciar mais o nascer do mesmo. O sol vai e vem no próximo número do calendário e nem sempre ele garante a nós bons dias, porém ele também não se preocupa em nos surpreender. Simplesmente acontece. Só depende da gente.  Só depende do próximo sol pro dia nascer, para assim, fazermos tudo. Inclusive as coisas darem “certo”.

Eu não serei mais a mesma.

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Se um dia eu estiver lá, eu não serei mais a mesma. Olhar todas aquelas paisagens, imaginar bons momentos que teremos. Talvez a curva dessas montanhas me faça sentir em casa, ou me faz sentir segura. Abrir os olhos, ver que existe algo tão real, tão puro quanto essa paisagem. Talvez exista um vento gélido que me faça sentir viva, que me faça pensar o quão é bom se sentir viva. Se existe algo maravilhoso, é ter esse reconhecimento.
Dizem que viajar tem o dom de mudar as pessoas, então não estou errada. Quando voltar pra casa, a culpa pode ser do sol, mas não serei mais a mesma. Conhecer culturas diferentes, comidas diferentes, paisagens diferentes… Mas aquela paisagem, num lugar tão distante que nem parece pertencente da Terra. Ali deve ter uma paz distinta, um alicerce de sorriso sincero e alívio no coração. Problemas? Já existe muito problema nesse mundo. Ali deve ter paz. Onde as guerras não fazem sentido, onde a palavra bom dia é a mais falada em nosso cotidiano. Onde o estanho sorri mas não notamos segunda intenções, onde sentar-se na calçada e ouvir as histórias de pessoas carentes fosse hábito, onde o ser humano reconhece a empatia, a cor, a vida.
Se um dia eu for pra lá, eu não serei mais a mesma. Aquilo muda tudo, muda meu ser, meu modo de ver, talvez o modo de viver.
Queria que todos conhecessem aquela paisagem. Ter experiências ao visualizar ela, ao abrir os olhos e não saber o que dizer de tão linda e profunda que ela se mostra. Onde ninguém tem que andar rápido demais pela sua rotina. Onde as pessoas parassem para olhar e apreciar bem, nem que seja por cinco minutos. Onde a pessoa ficasse se perguntando como chegou ali e como nunca tinha notado aquilo. Assim estou fazendo agora, venerando esta paisagem de quadro que talvez… Nunca tenha existido.

se não fosse tudo ao contrário

Eu estava lá, vendo o lugar que eu sempre quis estar e ficar por tanto tempo. Nunca quis embora. Observando cada pedacinho pra levar comigo, para nunca mais esquecer. Queria que você estivesse lá. Ouvir sua voz brincalhona fazendo umas piadas sem graça mas que faziam toda graça do mundo pra mim, apontando para lugares que parecia coisas estranhas. Lugares que só por esse detalhe se tornaria nossa piada interna e especial ao mesmo tempo.

Se todo esse pensamento, esse medo, essa vida que foi toda ao contrário tivesse ido no rumo certo, acho que estaríamos fazendo isso. Mas não, já foi. Eu preciso superar isso. Se tivesse como… Eu preciso parar de pensar nesses momentos que nunca aconteceram, ou talvez alguns que aconteceram. Que foram ótimos, que me fazem querer voltar.

O vento tá perfeito hoje, toca as minhas faces, afasta a pouca barra da minha blusa, significa que o mundo dá voltas. Ele continua.

Me virar e ter a Traffalgar Square às minhas costas, mas olhar pra cima, reconhecer esse sorriso de lado bobo e ver você na minha frente.

Esquecimento

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Eu ainda não consigo entender o porquê eu ainda continuo me importando. Eu devia ter te superado a um tempo… Precisamente a 2 anos? Porque o tempo todo você continua ocupando meus pensamentos bem aleatórios durante os momentos errados? Porque esse poder sobre mim?

Me faz ser tão ingênua quando o assunto é você, e eu odeio ser assim. Eu fico pensando se nós daríamos certo, como seria hoje se estivéssemos um com o outro. Mas eu sei que isso nunca vai acontecer. Porque nós estamos com planejamentos distantes, rumos distantes. Não fomos feito para ser um do outro. Eu já reconheci isso, meu coração não.

Então hoje você me mostrou que um tchau pode doer. Coisa tola, te verei amanhã. Mas você não deu tchau pra mim, simplesmente virou as costas. Grosseiro, estúpido, idiota, bobo, encantador. Você me deixa confusa. Para, agora. Chega, isso me tortura.

Quero ir embora, pra bem longe. Quero mudar meus hábitos, meu cabelo, meu quarto, alguns amigos, meu estilo… Meus pensamentos.

Dessa vez eu quero virar as costas sem dizer adeus, sem olhar para trás, convencida do que fiz foi certo. Mas isso não está, não estava. Como pode ser no futuro?
Dizem que o tempo conserta tudo. E eu estou com medo do modo como isso pode ser concertado.

Me deixe sozinha, me deixe ir.

Me deixe ser quem eu realmente sou, esses sonhos inocentes e ingênuos não são pra mim.

Você me prende, ele me libertou, mas com a mente mais bagunçada.
Dizem que se foi assim, então era pra ser.
Então se é para partir, então eu vou.

De uma forma que tenta desviar, mas não consegue. São hipnotizadores. Pretos de uma forma misteriosa, que esconde um mundo onde ninguém consegue explorar até o fim. Existe nesse mundo um cara errado, tão errado mas poeticamente de uma forma boa, de uma forma certa.
É aquele cara que você tenta desviar, mas não consegue. Tenta se afastar, mas ele te hipnotiza. Se se afastar for o feito, não se esquecerá de tal existência. Muitos menos dos olhos pretos.

Que seja uma distração. Para sempre.

Desliguei meu celular. Me encaro no espelho com os olhos cheios de lágrimas. Respiro fundo, está tudo bem, tudo vai acabar bem.

Me lembro de todos os seus beijos, todos os abraços protetores e olhares que trocamos, todas as risadas que fazia nossos dias e que para mim, esses momentos duravam uma eternidade. E que agora eles tinham aquele fim. Eu preciso viajar, respirar e me sentir livre de toda essa bagunça que fazia meus pensamentos serem estridentes. Que seja uma distração, mas dessa vez para sempre.

Todos esses pensamentos me faziam chegar em casa depois de um dia longo, colocar minha música predileta, deitar na minha cama, encarar o teto e logo após, fechar os olhos caindo gradativamente nos sonhos. Sempre sendo cenas que eu queria que acontecessem, ou que desse certo. As duas não são as mesmas coisas?

Linda, maravilhosa, esbelta. Era assim que eu me sentia sempre ao seu lado, sempre seguidos por sorriso dourados que compensava muita coisa. Que fazia as coisas tornarem-se certas, que desprender desses meus pensamentos avulsos e misturados.

Incrível como aconteceu em tão pouco tempo e como esse pouco tempo marca a gente.

Gostaria que eu fosse forte o suficiente para esquecer ninguém, mas nós dois.