posteriormente a uma ressaca literária

eu não tenho grandes experiências no quesito de obras que nos fazem chorar. na verdade, me lembro poucas vezes que li um livro que me marcasse tanto e me fizesse, sem arrependimento nenhum, virar páginas e madrugadas e soltar rios de lágrimas. por dentro, eu já estava transbordando!

jardim de inverno, de Kristin Hannah, marcou o meu coração.

começou com poucas pretensões, detalhes cotidianos, relações familiares e amorosas. poucas pretensões mas que tinham tanta importância! desenvolveram o personagem com tanto detalhe, que me sentia como se estivesse ali, assistindo do lado delas a todo momento. viajei fundo, sem critério, sem regras e nem amarras. só viajei e estive com cada uma delas e vivendo juntamente a sua vida, sendo elas Nina, conhecida carinhosamente como Niner Beener; Meredith, ou melhor, Meredoodle; Jeff, marido de Meredith; Anya Whitson, mãe de Nina e Meredith; Danny, namorado de viagem de Nina; e tem como coadjuvantes, o pai de Nina e Meredith.

toda essa gente e mais alguns, que logo vão aparecendo, nos contam uma história que deve ser, não só lida, como sentida – seja com o coração, com a razão ou com a emoção. se for optar por algum deles, ninguém aqui te julga. esse livro abraça e te leva junto. bem nos primeiros capítulos, onde há cenas de teatro de Nina e Meredith, parece que logo aqui, aquele convite, aquela descrição dos olhares e do cenário de onde elas iram dar um ponta-pé inicial, elas te chamam ali naquele cantinho de leitura diário e dizem “senta aqui, posso te contar uma história?”. e invariavelmente, essa cena acontece algumas vezes durante o livro, quando uma outra história paralela é contada. você se sente assim: juntinho também, de joelhos, de olhos fechados e no escuro ouvindo aquela voz de Anya Whitson.

uma experiência cheia de vida: detalhes, sofrimento, lágrima, aprendizado e, sobretudo e de todos os outros pormenores, empatia.

empatia por Neener pensar assim e ser aventureira. empatia por Meredith por pensar daquele jeito e ser organizada. empatia por Anya Whitson ser assim, fria, sem amor à suas filhas e ao outro. empatia porque parece que tudo no fecho, foi destino. foi perfeito. foi singelo. foi suspirável.

elas me convidaram pra sentar aqui e me senti abraçada, mas tudo o que fiz no final, foi pegar nas mãos delas e pensar: “sua história, suas cicatrizes, seus aprendizados.

A vida é feita de detalhes.”

 

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s