a trilha sonora da minha história.

Em 2017, como vocês viram, eu tive muitos momentos divertidos e pouco falei sobre os momentos tristes e que foram barra pesada pra mim. Eles aconteceram, mas passaram. Tanto que se eu for falar aqui, parece que foi uma coisinha, algo que faz muito tempo, talvez a uns cinco anos atrás. Algo que eu nem acredito que eu realmente me preocupei. Portanto, eu procurava algo ou alguém para me manter em pé quando eu literalmente quis desabar. Ano passado, muito por causa dessas pessoas e situações, eu amadureci. Amadureci de um jeito que nem acredito. E só por causa disso, eu entendo quando meu pai e minha mãe fala que eu tenho muito pelo o que passar, que vai vir muita maturidade ainda. Que isso “é só a gota do oceano“. As minhas bases foram meu namorado, que por mais que eu implicasse com ele, ele tentava me fazer vê-lo as situações de forma totalmente racional. Até porque ele é assim, eu sou a mais emocional da história. Além dele, foram as músicas. Olha, não sei se vocês sabem, mas eu sou surda. Tenho perda severa em ambos os ouvidos e só consigo curtir música, ver vídeos ou ouvir áudios no whats app por causa do meu aparelho. E por causa desse meu jeito, eu sustento muito valor às letras da música. Eu curto a música, consigo reconhecer alguns instrumentos e com sorte entender a letra quando ela está sendo cantada, senão a procuro (isso quando meus amigos não já mandam pra mim). Foi assim quando eu ouvi a música nova (ok que hoje já não é tão mais nova assim) do Harry Styles, Sigh of the Times. O meu ano está em toda aquela letra. Os meus problemas estão incluídos naquela letra. Eu me vejo ali. Eu me vejo até no ritmo que a música é tocada – quando a identificação é tão grande com uma obra, a sensação é maravilhosa, não é mesmo? Se você nunca leu a letra, vai lá, procura, leia sem a música, sem ritmo e você vai me entender.

Quando ele diz logo na primeira estrofe para eu parar de chorar porque é um sinal dos tempos, eu entendo a mensagem. Esses problemas que estavam me acontecendo, eu já sabia como lidar, porque eu já estive ali. Mas eu precisava passar por aquilo. Era sinal do tempos, talvez aquele que estivesse vindo e que no final me desse uma paisagem linda e melhor ali no meu futuro provável.

O tempo todo eu tive que me lembrar de que aqueles problemas ali, por mais que fossem pequenos mas grandes na minha visão daqui, eles iriam passar, we gotta get away from here. De um jeito ou de outro, por mais que por um tempo nós tampássemos o problema e fugíssemos deles, eles apareciam a qualquer momento. Às vezes tudo que precisamos é de diálogo, falar tudo o que for suficiente, por mais que isso saia como grito, sabe? E com isso abrirmos mais nossas mentes a situações e opiniões. Porém  como nós já estivemos ali, temos que resolvê-lo e deixá-lo para trás mas quando formos parar para pensar nessa nossa história, tentar entender o que nós aprendemos com aquele momento pesado. Se aquilo me acrescenta tão bem ou me acrescenta de um modo ruim. E dependendo, tentarei sempre ver a paisagem de outro jeito. De um jeito bom.

 It’s just what we know.

Era Harry repetindo o tempo todo, saindo da linha indie de violão só pra me dizer que era sinal dos meus tempos. Era hora de crescer.

 

We don’t talk enough
We should open up
Before it’s all too much
Will we ever learn?
We’ve been here before
It’s just what we know

Qual é a sua trilha sonora?

ironicamente, eu precisava disso

Faz um tempo que tenho me pegado sempre pensando constantemente nas possibilidades que poderia ter sido alguma experiência que tive no meu ensino médio. Para aqueles que não sabem exatamente do que falo, meu ensino médio foi uma época bem complicada para mim. Comecei a entrar em dificuldade com a área de exatas, me sentia uma pessoa que não sabia de nada, que não tinha dom pra nada (por mais que eu tirava 9.5 em português sem estudar nadinha). Acreditava que não iria para frente, que as universidades federais não era meu lugar. Dito e feito, eu não passei numa federal. Fui reprovada logo de cara. Isso tudo porque eu não acreditei no meu potencial, não acreditei em mim mesma. Tive experiências tão pesadas no ensino médio que apesar de tudo, de todas as coisas boas que me rodeavam na época, eu só focava nos meus defeitos. E não os aceitava! E por este fator, eu ficava me cobrando até por situações que eu tinha controle algum! Olha só quanto detalhe eu lembro disso e eu me formei do EM fazem quatro anos já.

Como eu ia dizendo, não foi fácil e por isso, passei em meus momentos de ócio, meio que sem querer (e mesmo que fosse contra a vontade e eu percebesse, era tentador), ficava pensando no E SE de todas as situações doidas que tive que lidar. Claro, eu com essa cabeça, teria me livrado de cada enrascada…

Só que cansei. Cansei de supor, nada muda. Todo mundo fala isso pra mim que pensar não iria mudar nada e até a pouco tempo era esse o tentador, não mudar e ainda sim continuar pensando porque não haveriam consequências para eu lidar. Mas cansa. Cansa muito. Cheguei naquele pontinho da linha temporal que só quer olhar pra frente. Olha para a janela e respira o ar. Olha para o espelho, e contenta cada pinta que tenho na pele. Aquela ali, em dois mil e quatorze, não é mais eu. Eu mudei e eu sinto isso. Minha cor favorita mudou, meu cabelo mudou, minhas músicas favoritas mudaram, meus filmes favoritos também mudaram, meu jeito de lidar e amar as pessoas mudou, a forma de sorrir, meu círculo de amigos e inclusive até a minha casa mudou!

Porque viver com os meus pés virado pra trás? Virado para época que já se foi e minhas cicatrizes que já fecharam. Não tem porquê. Eu mudei tanto que nem percebi que essa mudança estava acontecendo, foi preciso de um baque muito grande para que eu percebesse, claro. E que baque! Eu precisava disso.