faz muito tempo, mas aqui estou eu

Talvez essa minha falta por aqui por durante um ano fez eu conquistar algumas coisas e indo perceber certos acontecimentos e os mesmos sendo guardados aqui no meu coração. E eu vim pra cá contar e escrever que ano que vem, por mais que ele comece, eu deixei bem aqui registrado que dois mil e dezessete não foi um ano em branco. Eu só não escrevi muito, mas agora eu volto com muita sede de escrever. Porque todo aspirante a escritor está aqui pra eternizar, não é mesmo? É isso mesmo que vim fazer.

Foi durante esse ano que começo tendo algumas responsabilidades familiares, lembro que passei meu aniversário de vinte anos ajudando a mãe no trabalho e me contentando que não será dessa vez que irei fazer alguma reuniãozinha mesmo com bolo. Eu tava ciente disso e estava ciente também do porquê. Eu não reclamei. A gente chega na idade do jovem adulto e começa a notar certos privilégios, não é mesmo? Sem falar que nesse mesmo mês, com o presente que ganhei do meu avô, eu resolvi doar para as pessoas de rua. Eu ganhei 50 reais e resolvi gastá-los ajudando duas crianças de ruas, levando ao Big e deixando que escolhessem o que quisessem. Um feliz ano novo para eles também, né?

Em fevereiro eu começo a trabalhar no meu trabalho fixo completando logo um ano de contrato e fico internamente muito feliz, porque honestamente é um trabalho que eu gosto muito de ter. Preciso, mas eu tenho gosto por estar lá. Prova disso que esse ano já cheguei a trabalhar doente porque não achei viável ficar em casa sem fazer nada, além de sentir uma leve culpa por estar longe. Também é nesse mês que começo a frequentar meu tão esperado primeiro dia de aula numa nova faculdade (é, esse ano eu troquei de curso) e estou tão, tão apaixonada pela área da educação e não penso com tanta rapidez voltar para área que estudava antes (esta sendo jornalismo). Aconteceu uma identificação tão forte, me encontrei ali. Apesar de passar por umas barras pesadas, nada supera o gosto que senti pelos momentos de aulas que simulei e as pesquisas que efetuei.

 

Entre indas e vindas de estudos, pesquisas, tentando me encaixar em um grupo na sala e percebendo em menos de um ano em como a vida é irônica e te coloca pra andar e confiar nas pessoas nas quais você achou que nunca andaria. Em menos de um ano eu senti coisas que eu achava que era muito maior para sentir, pra você ver que aprendi que sentimento a gente não deve subestimar (ou brincar). Acabei andando com quatro amigos maravilhosos de lá, todos eles sem ter ideia lá no comecinho de semestre que se tornariam pessoas que iam significar muito pra mim. Em 10 meses, nós fizemos muita coisa significativa um para o outro. Contamos segredos, brigamos, comemoramos e ainda estamos só indo pro segundo ano de curso. E eu sinto que quanto à faculdade, a intensidade vai ser outra mas num nível muito bom. Posso falar que tenho expectativas quando não deveria ter? É isso aí mesmo.

Foi no ano de 2017 que vi com quem eu posso contar pela vida toda e de como passar um tempo em família é uma coisa intensamente maravilhosa desse universo. Foi na metade do ano que na primeira oportunidade de ver minha família de sampa, eu fui. Comprei passagem e fui sem contar as moedas no meu bolso (no improviso!). Cheguei lá e aproveitei tanto! Fui no cinema com as minhas irmãzinhas (que continuam incríveis, quanto mais elas crescem, mais meu coração enche de amor), saí com os meus pais pro cinema, conversei tanto com eles e descobri mais ainda o quanto a educação é maravilhosa depois que tive umas conversas reflexivas com a minha madrasta, essa que acabou de se Mestrar na área de educação também! Sem falar que fui ver pela primeira vez meus amigos virtuais do clube do livro! Foi nessa viagem também que turistei São Paulo em uma semana inteira com a minha Vó, essa, que preciso ressaltar, é a minha heroína e meu exemplo como pessoa. Apesar das dificuldades de visão que ela possui, ela passeou por São Paulo comigo mostrando e contando histórias de como certos pontos da cidade mudaram. Foi em museus, em amostras, na casa de todos os familiares que não vejo a anos! Só de lembrar do sorriso de todo mundo em me ver, meu coração aperta de saudade novamente. Guardei fotos, mas perdi depois que meu celular quebrou e acabou “resetanto”. Mas assim como a minha vó diz, está tudo aqui guardado, ó, no meu coração. Eu me lembro que fui no maior sebo de São Paulo e saí de lá com 3 livros e 2 HQ’S. E também com a vontade de voltar.

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Passeio para Itapema/SC com meus irmãos de 10 e 7 anos.

Voltei para Joinville mudada. Literalmente. Sobre questões familiares, sobre aproveitar o momento, aprendi sobre ministrar dinheiro e cobrar meus direitos na minha cidade. E ainda aprendi mais sobre pró-atividade no trabalho. Mas é sempre assim, um final de semana ou uma semana inteira com a minha família eu nunca volto a mesma. Até hoje eu me lembro dos passeios que tive com eles no carro e eram sempre reflexivos quando mais nova.

Assim que voltei para a cidade em que resido, acabei me enrolando com uma viagem de amigos para uma cidade à duas hora da minha. Nela, acabei andando muito, tendo um roteiro muito no improviso, desde de ver duas amigas de infância a almoçar numa praça pública, ter uma aula de história no meio da rua de um cara que tenta ganhar a vida fazendo isso, depois passar as tardes num shopping, tomando milkshake na cobertura e andando muito e enrolando muita conversa de rua. Foi uma das melhores viagem com meus amigos que já tive. Sei que é somente a primeira e irá ter muito mais, mas estou ansiosa. Esqueci de mencionar que antes de fazer essa viagem, a amiga que mora nessa cidade que fica a duas horas, veio pra nossa visitar, ficou na minha casa e tudo que a gente fez foi comer sushi no shopping, filosofar quando podia e ir em museu porque afinal, todo mundo ali era de humanas. Sem contar que nós olhávamos quadros e ficávamos tentando adivinhar qualé a do artista. Também fomos na casa do meu amigo no final da noite, esta que fica bastante longe da minha em quesito de bairro. Cantei como se não houvesse amanhã e terminamos o dia vendo o desenho animado – isso acabou criando muitas piadas internas. Mas prosseguimos.

Após de alguns meses tentando entender que posso ser eu mesma e ser muito feliz, eu tomei a coragem de cortar meu cabelo bem curtinho e pintar de preto pela primeira vez na minha vida. E assumo, eu me amei demais. Amei. Amei. Amei. Eu sorri e tirei uma foto para que representasse exatamente isso. Sem maquiagem, sem filtros, apenas eu ali. Confiante com o meu pedaço pela primeira vez na vida.

Uma temporada se passou e meu pai veio pra cá e passou um dia com a gente (eu e meu irmão). Foi igualmente divertido, até porque saímos e comemos muito Mc Donald’s com Coca Cola como toda vez que saio com ele – a gente tem que manter essa tradição, não é mesmo? Já é ritual dos Grilli.

Não me lembro exatamente em que mês, mas lembro que também ajudei muita gente. Odeio ver gente de rua precisando de algo. Faço assim que posso! Dessa vez, em meio ao intenso frio sulista, não dei dois passos: dei cobertores, tênis e comida a um senhor que estava chorando de frio na calçada enfrente ao meu prédio. Aquilo ali, por mais frio que estivesse por fora, por dentro eu estava sorrindo calorosamente. E minha irmã, que me ajudou nessa, disse que faria igual assim que crescer!

Logo, quando os meses foram passando e eu me dedicando a faculdade e trabalhando em horário duplo (porque comecei a dar aula particular também!), nada muito fora da rotina aconteceu, mas que profissionalmente me evoluiu muito! Criei mais senso de tempo, organização, metodologia e amor pela minha profissão que com o passar dos dias, mais se cultiva e mais cresce.

Não foi um ano qualquer, por mais que sejam poucos acontecimentos eles preenchem muito! Evolução foi a palavra do ano e agradeço muito por cada momento dele. Principalmente do apoio e do colo que as pessoas me deram nos momentos difíceis (esse vai em especial para o meu namorado, que sempre, sempre, sempre esteve do meu lado e continua me suportando).

Foi intenso mas ao mesmo tempo leve. Foi profundo mas ao mesmo tempo foi uma constante evolução e continua ainda!

A gente perdoa, cicatriza momentos ruins e segue em frente. Mas qual seria a graça da vida se não fosse por isso?