pensamentos de uma longa caminhada

pensamentos de uma longa caminhada

Quando fechei a porta da frente de casa, sabia que precisava disso. Respirar. É tão difícil você conseguir se distanciar um pouco da sua vida, se afastar desse monte de coisas e ver como gostaria de construí-la, se tivesse esse poder! Saber ser uma engenheira pelo menos uma vez na vida, e saber do que está fazendo.

Nessa pequena caminhada, todo mero detalhe parece importar. Todos os momentos que calculei e saíram fora da órbita ou do roteiro. Tudo aquilo que não queria ter feito e que no final, talvez fosse melhor assim. Aprendi com tudo que passei e tenho o grande pressentimento de que estou melhor.

Amadureci. Meus olhos já não são tão ingênuos assim. O cuidado se elevou perante a mim. Sinto e sei que já não sou mais a mesma. Tudo que é grandioso e maravilhoso, me sinto como fosse privilegiada por ter isso ao meu alcance. Aquela teoria de que a vida poderia ser mais leve, mas que em alguns momentos, essa ideia cai por água a baixo. Mas uma parte de mim impede que eu me vire negativa perante a minha vida, e me faz acreditar que a leveza existe, sim. Mesmo que poetas e escritores parafraseiam que escritores e artistas não vivem sem uma dor pra contar e mostrar. O que as vezes pode ser encarado pior do que já é. Gente que é encontrada no ofício de escrever normalmente vê a dor de uma forma maior, intensamente e em cores. Não sou exceção. Talvez por isso que eu prezo pelos momentos mais leves.

Ideias assim faz grande porcentagem das pessoas acreditar que o mundo está errado, que não há cura, positividade e resolução para determinadas situações. E algumas vezes nos faz acreditar que não tem mesmo. Porém me parece tão pesado e sem sentido você viver a vida sem ter por onde acreditar. Acho importante a gente ter um ponto que nos faz acreditar, mesmo que seja, sei lá, em fada. Assim, o nosso coração se enche de uma forma boa, contornando espaços que antes não sabíamos que éramos capazes de tê-lo e preenchê-lo. O problema nisso, depois de um tempo, se torna uma junção de felicidade e medo. Felicidade porque se sente livre por acreditar em alguma coisa, mas com medo por não querer ser ingênua uma outra vez na vida.

É tão… estranho. É nesse momento que você se permite querer tudo, mas também querer nada. É nesse momento onde sonhadores são vistos como cegos e ingênuos nesse mundo. E é aqui também que dizer isso me machuca.

Não quero perder a minha personalidade porque somente tenho medo – mesmo que eu queira ser uma jornalista profissional. Sinto que a curiosidade que nasceu comigo me faz aflorecer algo em mim e eu continuo agradecendo por isso. É isso que eu me torna uma pessoa diferente por aqui. Aliás, todos somos diferentes e ao mesmo tempo iguais: somos positivos de alguma forma. O problema do maior mau, é simplesmente o medo.

Olha, vou ser sincera, queria dizer que nesse final, só por me dar conta disso e não querer perder a minha esperança, é encarar todos os meus medos. Mas sei que isso não é fácil, por isso aqui fica minha deixa. Pra essa vida que tenho, aos 19 anos, farei o melhor que posso. E claro, escrevendo. Até porque, as palavras são meu ofício e nele darei meu corpo e alma, só pra construir esse castelo que chamamos de essência. Isso sim é importante

E ao me dar conta disso, entro em casa, tiro meus casacos pesados e minhas meias, vou pra cama e tudo que estou desejando apenas é: um dia melhor. Todos os dias.

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